ESTRÉIA HOJE
Fazendeiro resgata a primeira raça de gado do Sul do país: Gado Franqueiro
05/03/2020 16:11 em RURAL E AGRONEGÓCIO

A casa grande em estilo português com janelas azuis e uma capelinha ao lado é uma espécie de templo que guarda a história de um tempo nos campos de cima da Serra. Muitos tropeiros que demoravam meses para cumprir a sua jornada feita no lombo do cavalo, passavam por caminhos, quando procuravam abrigo para as noites geladas dos campos da vacaria. O destino deles, eram as terras, onde um tropeiro paulista construiu a Fazenda do Socorro. E passar pela porteira, é como dar uma espiada na vida do século XVIII.

Tempo de gaúchos e paulistas rudes, tropear gado e levar mantimentos de um lado a outro do Brasil. E a Fazenda do Socorro viu tudo isso passar, e ao som dos pássaros, permanece linda como se fosse um quadro.

A casa principal, a casa dos peões. Todas as construções sem ostentação, exibem detalhes ricos. A capelinha em homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro então, é uma graça. O altar esculpido pelos escravos tem anjos e santos. E das janelas as vistas são esplendorosas.

O guardião desse patrimônio é o Sérgio. Comprou a fazenda, restaurou, plantou lavouras e abriu as porteiras para quem quiser visitar.

“A gente tem que proteger. É um patrimônio muito difícil de encontrar hoje. E a gente se sente na obrigação. E além de recuperar, repassar para os filhos da gente, que continuem mantendo isso aí”, diz Sérgio de Rossi, proprietário da Fazenda do Socorro.

Não perder a história é o que tenta o Seu Sebastião. Ele resgatou a primeira raça de gado que viveu na região.

Com olhos tranquilos, lá vem a Cajuvá. Ela é uma sensação. Tudo por causa das medidas imponentes: 85 centímetros de chifre de cada lado, mais a cabeça. De uma ponta a outra, são dois metros de comprimento. E todos os animais exibem medidas exageradas.

O Gado Franqueiro dominou o Sul do Brasil por séculos. De origem africana, foi trazido do Uruguai pelos padres jesuítas para a Serra Gaúcha, que recém começava a ser povoada.

“Imagina tu chegar em uma região que não tem nada. Tu não tem onde comprar um alimento. Não tem um trator, que este animal foi o trator da época. Para arrastar, arar. Para o vasilhame, a guampa que se usou. Não se tinha nada. A carne, o couro e todo um povoamento alicerçado com a base neste animal”, conta Sebastião Fonseca de Oliveira, presidente da Associação de Criadores de Bovinos Franqueiros.Depois de ser substituído por outras raças, o Franqueiro quase desapareceu. Hoje está aqui apenas para ajudar a contar a história.

fonte: G1

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